Por que os artistas internacionais cobram o cachê mais caro para tocar no Brasil?

  • 17/09/2026
  • 0 Comentário(s)

Por que os artistas internacionais cobram o cachê mais caro para tocar no Brasil?

Na última semana, a cena de música eletrônica no Brasil acompanhou de perto uma discussão a respeito da contratação de artistas internacionais que surgiu após declarações do DJ e produtor Chapeleiro e das postagens da desavença entre a organização do festival Maya e alguns artistas internacionais que estavam sendo contratados.

O debate nas redes sociais chegou a muitos fãs de música eletrônica no Brasil que levantava discussões sobre altos cachês cobrados por DJs estrangeiros, dificuldades na hora de negociar e fechar o contrato, entre outras. A House Mag conversou com alguns produtores de evento brasileiros para entender melhor o assunto com a experiência de quem vive de perto estas situações.

Vamos a alguns pontos importantes sobre o assunto.

Segundo um dos produtores, quando um artista internacional vem para o Brasil, geralmente, é muito difícil que ele feche apenas uma data, pois financeiramente é inviável atravessar o oceano, perder dois dias de deslocamento (ida e volta) para receber o mesmo que receberia em seu país ou num país vizinho e arriscar perder datas na Europa ou EUA onde o mercado é forte. Por isso, as agências sempre procuram pelo menos duas datas e normalmente cobram um valor mais alto do que o habitual para ‘’compensar’’.

Porém, há um fator preponderante nessa situação que é um leilão da data do artista. Ou seja, a agência matriz do artista localizada nos EUA, Europa ou Ásia o vende para as representantes brasileiras, que consequentemente vendem para o produtor de eventos. Dessa forma, as agências vão procurar quem quer fazer uma festa com o DJ que está vindo para o Brasil. Se mais de um produtor demonstrar interesse, quem fizer a proposta mais vantajosa para todas as partes leva.

O leilão é uma parte muito importante que encarece o custo de contratação. E aqui, nem colocamos na ponta do lápis as passagens aéreas, hospedagens, impostos, conversão de moeda e demais custos. A depender do tamanho da produção e do artista, virá ao lado dele equipe de filmagem, tour manager e outros profissionais.

Outro produtor nos conta que muitas vezes o contratante é ‘’colocado na geladeira’’. Isso significa que ao decorrer da negociação, tudo pode estar correndo bem até aparecer um novo interessado disposto a pagar mais e a agência deixar de lado a primeira proposta ou voltar com uma contraproposta equivalente ao do concorrente.

Além disso, um fator que deixa os cachês de artistas internacionais acima do padrão no Brasil, segundo um dos entrevistados, é a falta de estrutura e segurança básica de algumas cidades no Brasil. O que vai ser o principal motivo para fazer com que esse(s) artistas, acostumados com hotéis 5 estrelas, venham para o Brasil? O dinheiro, é claro.

Hoje, grandes artistas de nível internacional são empresas que podem chegar a faturar milhões de dólares. E, somado a isto, os próprios DJs e as agências precisam colocar na precificação: quanto de retorno para o contratante aquele nome pode gerar?

Agora, um tópico sensível e que precisa vir para o debate foi mencionado por uma produtora que atua há muitos anos na cena: a falta de apoio do público com os artistas nacionais muitas vezes. Principalmente nas postagens de anúncio de DJs brasileiros, onde costumam ter vários comentários pedindo nomes de fora, sem valorizar o DJ nacional que está em destaque naquele momento.

Nos últimos anos, produtores musicais brasileiros em todas as vertentes da música eletrônica estão chegando cada vez mais longe nos lançamentos, seja nos streamings, nas plataformas de venda ou conquistando gigs importantes.

E, como comentam os entrevistados, realizar uma festa de grandes dimensões sem a presença de nomes de outros países é um risco muito grande. Na maioria das vezes, grande parte do público compra ingresso por causa dos DJs internacionais e é hora de olhar pra dentro e valorizar mais o nosso produto.

Estes foram alguns tópicos levantados em conversas com produtores de eventos que operam por diferentes estados do Brasil, sem fazer juízo de valor sobre quem está certo ou errado. O objetivo é elucidar algumas questões de bastidores que podem não ser claras para o público e propor o debate.

Como você vê essa situação?


#Compartilhe

0 Comentários


Deixe seu comentário








Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. RMB (Ring My Bell)

Aitch

top2
2. Movin’ To The Sun

HUGEL, Ultra Nate, Imael Angel

top3
3. On 2nite

Silva Bumpa

top4
4. Animal

KATSEYE

top5
5. Take Me Back

Kygo, Max McNown

Anunciantes